Jornal do Commercio
foto Jorge CavalcantiUm olhar com opinião sobre o Grande Recife
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Paulo já voou no Cessna 560XL

Publicado em 02/09/2014, Às 8:20

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Pela primeira vez, o candidato da Frente Popular afirmou que viajou, ao menos uma vez, no avião que caiu na cidade de Santos, em São Paulo, matando Eduardo Campos e outras seis pessoas. Paulo Câmara voltou de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, a 410 km do Recife, na aeronave cuja origem o PSB ainda não explicou satisfatoriamente. As duas versões – a de doação e de empréstimo – foram desmontadas. Ontem, o candidato a governador admitiu o uso da aeronave na entrevista de ontem na Rádio JC News. 

Tanto o acidente aéreo quanto a origem da aeronave estão sendo investigados.  Documentos obtidos pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, mostraram que empresas fantasmas pagaram a empresa dona do avião. Extratos bancários comprovam que a empresa AF Andrade, que segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é a proprietária da aeronave, recebeu R$ 1,7 milhão supostamente pago para comprar o jato.

As transferências vieram de 6 pessoas físicas e jurídicas, e entre elas, há empresas mantidas em endereços onde funcionam uma peixaria, uma residência, uma sala vazia e uma casa abandonada em Pernambuco. A AF Andrade diz que já havia repassado o avião para outro empresário, que o emprestou para a campanha de Eduardo Campos. Nas entervistas e nosdebates que participa, a candidata do PSB, Marina Silva, enfrenta questionamentos sobre a origem do avião.

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À nova, não cabe concessão

Publicado em 02/09/2014, Às 7:58

O novo é algo que se impõe pelo ineditismo da prática, pela ruptura de costumes obsoletos e danosos, sem qualquer relação com a idade. No cenário político mundial, por exemplo, as duas “novidades” são dois senhores quase octogenários: o papa Francisco, 77, e o presidente do Uruguai, José Mujica, 79. Ontem, o candidato a governador da Frente Popular, Paulo Câmara, perdeu uma boa oportunidade de alinhavar a tese da “nova política” com uma postura pública em favor do novo no sentido de avanço.

Entrevistado da Rádio JC News, Paulo Câmara disse que acreditava ser um dos herdeiros da “nova política” que o ex-governador Eduardo Campos pregou na campanha presidencial. Mas evitou censurar abertamente o uso das emendas parlamentares para pagar cachês de bandas por shows em cidades castigadas pela seca, numa esquema já comprovadamente imoral, apesar de revestido de legalidade.

Ao ser questionado, Paulo Câmara disse que, se fosse eleito para a Assembleia Legislativa, iria preferir destinar dinheiro público para outras áreas. Mas acendeu uma vela para Deus e outra para o diabo quando, ao concluir o raciocínio, frisou que “respeitava” a decisão do deputado que prefere financiar a política do pão e circo, cuja origem remonta ao império romano, tão antiga portanto quanto o próprio Jesus Cristo. Apesar dos 42 anos de idade, Paulo Câmara soou velho por ter ficado em cima do muro num tema tão sério.

Medicamento

Na entrevista, Paulo Câmara lançou a ideia do governo levar remédio às residências dos pacientes, para facilitar a vida dos que estão debilitados. Mas não soube explicar o porquê da histórica falta de diversas substâncias, como insulina, nas prateleiras das unidades da Farmácia do Estado.

Mobilidade

O candidato da Frente Popular repetiu a promessa do Bilhete Único, sem ainda explicá-la em detalhes, e confirmou o que a coluna já suspeitava: nunca viveu a experiência de passageiro de ter que embarcar num ônibus no horário de pico em algum terminal integrado, como o de Xambá ou da Macaxeira.

 

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Muitas palmas para ela!

Publicado em 31/08/2014, Às 8:34

Em 1992, quando o Brasil dos cara-pintadas pressionava para o presidente Fernando Collor deixar o cargo, uma mãe solteira dava um largo passo em direção à cidadania. À época, apesar de extraordinária, a criação da Associação Pernambucana de Mães Solteiras, a Apemas, não recebeu a devida reverência. Ao longo dos anos, Marli Márcia da Silva avançou ganhando respeito, dobrando dificuldades, ampliando o acesso à dignidade. Hoje, depois de 22 anos à frente da entidade e cerca de 50 mil reconhecimentos de paternidade, Marli Márcia é digna de todas as homenagens.

Na edição de hoje de Cidades, a repórter Ciara Carvalho escreve sobre a mais nova iniciativa da Apemas: viabilizar aos filhos de pais detidos no sistema prisional do Estado o direito ao sobrenome paterno, com a importante ajuda da Defensoria Pública. Estar preso é circunstancial. Mais cedo ou mais tarde, o indivíduo voltará para a liberdade. Assegurar o reconhecimento da paternidade é um direito básico e definitivo. A ninguém deve ser negado.

Por motivos profissionais, já tive a oportunidade de estar em solenidades em que diversas autoridades discursaram, inclusive, Marli Márcia. Após 22 anos de engajamento, em alguns eventos, ela divide o microfone com magistrados e promotores sem dever nada a qualquer um deles. De raciocínio rápido, fala simples, porém convicta e segura, a presidente da Apemas surpreende. Por todos esses motivos, a coluna hoje bate palmas para Marli Márcia.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Explodir caixas virou moda

Publicado em 30/08/2014, Às 8:33

A ocorrência de certas modalidades de crime está vinculada a ciclos. Quadrilhas especializadas investem na prática por encontrar facilidades, elevando o número de registros para índices além do aceitável; a polícia então aumenta a repressão com o objetivo de sufocar os bandos, que migram para outras ações criminosas. Foi assim com os sequestros, ainda no governo de Jarbas Vasconcelos, por exemplo.

De alguns anos para cá, explodir caixas eletrônicos de agências bancárias, sobretudo em municípios do interior, é a modalidade predileta de quadrilhas com um raio de ação interestadual. As circunstâncias explicam a escolha pelo tipo de crime.

Nas cidades afastadas dos grandes centros, o efetivo da Polícia Militar é insuficiente para cobrir áreas extensas. E as opções de rotas de fuga são inúmeras. Na maioria das investidas, as quadrilhas agem em superioridade numérica em relação a policiais. Ontem, doze homens arrombaram dois caixas do Bradesco da cidade de São Vicente Férrer, no Agreste. Conseguiram levar uma quantia não divulgada e ainda acuaram os PMs. Uma viatura foi atingida pelos disparos.

Em 2013, a Secretaria de Defesa Social registrou 95 ações contra terminais eletrônicos. Uma média de oito por mês. Ou uma a cada quatro dias. Nesse ano, foram 49 ocorrências, de janeiro a julho. A de São Vicente Férrer e a do último dia 20, em Machados, no Agreste, quando caixas de dois bancos foram explodidos quase que simultaneamente também por um grupo de doze homens, não estão computadas.

Desbaratar as quadrilhas, ou ao menos dificultar a ação delas, não é tarefa fácil, nem deve ser debitada exclusivamente na conta das Polícias Militar e Civil. Os bancos podem reforçar a segurança instalando câmeras em posições estratégicas, tanto dentro quanto fora das agências. Mas, como possuem seguro, nem sempre têm interesse no investimento.

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De herói a assaltante

Publicado em 29/08/2014, Às 15:05

Charge

O morador de rua que salvou a vida da filha do artista plástico Francisco Brennand no final de 2012 foi preso nessa semana por tentar roubar o celular de outra mulher fingindo estar armado. Dependente de crack, devia a um traficante que ameaçara matar sua esposa e filho. Quando tirou Helena Brennand do carro que havia caído no Canal de Setúbal, Paulo Henrique foi aclamado herói e mostrou nobreza. À época, já lutava para se livrar da pedra. O episódio é ilustrativo para mostrar que o crack segue avançando, enquanto sociedade e poder público tateiam em busca de uma solução.

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Assassinato ou suicídio?

Publicado em 29/08/2014, Às 15:04

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O mistério em torno da morte do empresário Sérgio Falcão, 52 anos, está perto do fim. A delegada Vilaneida Aguiar concluiu o inquérito e vai enviá-lo à Justiça. Ontem completou dois anos que o corpo de Falcão foi encontrado no escritório do apartamento onde morava, na Avenida Boa Viagem. Na investigação, 40 pessoas foram ouvidas, aproximadamente. O empresário enfrentava problemas financeiros, mas a polícia descobriu uma caderneta com informações que sugerem que, por uma década, Falcão enviou dinheiro para uma conta no exterior. A investigação se propunha a esclarecer se o empresário foi assassinado ou cometeu suicídio.

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Desunidos e equivocados

Publicado em 29/08/2014, Às 11:38

Os dois milhões de passageiros do Grande Recife só terão ônibus à disposição hoje a partir das 8h. Pela terceira vez em oito dias, usuários enfrentarão transtornos além do habitual. Desta vez, de forma desnecessária, por causa do erro de avaliação da atual diretoria do Sindicato dos Rodoviários do Estado, rachada em dois grupos antes mesmo de tomar posse.

Motoristas, cobradores e fiscais decidiram ontem pela paralisação com o objetivo de pressionar os ministros do Tribunal Superior do Trabalho. Caberão a eles decidir de quanto será o reajuste do salário (de 10% ou 6%) e de outros benefícios da categoria. É nesse aspecto que erram os rodoviários. Esse tipo de estratégia é ineficiente. Não gera pressão alguma sobre ministros que estão em Brasília, distantes do foco do protesto, e revestidos nas garantias da magistratura.

Greve é um direito assegurado ao trabalhador. Um ato legítimo desde que seja pacífico. Mas é um estratégia que deve ser usada com sabedoria, sob pena de prejudicar a população, em vez de pressionar empresários ou ministros.

Há poucos dias, os rodoviários cruzaram os braços em duas ocasiões. Exerceram ali um direito. Agora, na falta de uma liderança única, pisam na bola e escorregam. Além da tarifa, o usuário não merecia pagar o preço de um erro de avaliação de uma diretoria desunida.

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Os usuários não merecem

Publicado em 28/08/2014, Às 8:00

Motoristas, cobradores e fiscais de ônibus vão se reunir hoje em assembleia para decidir se cruzam ou não os braços amanhã, com o objetivo de pressionar os ministros do Tribunal Superior do Trabalho. Caso os rodoviários aprovem uma nova greve, será a terceira em 30 dias. A categoria quer manter o reajuste de 10% sobre salários e pisos e 75% sobre o tíquete-alimentação. Os índices foram assegurados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, mas o sindicato das empresas, o Urbana, recorreu e o jogo está zerado novamente.

A primeira greve foi necessária para dar evidência ao pleito dos rodoviários. E legítima, apesar das dificuldades impostas aos passageiros. A segunda foi deflagrada numa reação à liminar do presidente TST, Barros Levenhagen, e pode ser compreendida dentro do contexto da revolta e perplexidade geradas pela decisão que reduziu para 6% o reajuste salarial. Mas a terceira paralisação, caso seja a escolha da maioria dos presentes à assembleia, além de inútil, representará um fardo desnecessário para os dois milhões de usuários do Sistema de Transporte Público da Região Metropolitana.

A tática de greve como instrumento de pressão sobre ministros de tribunal superior é errada por ser inócua. Já nasce com o carimbo do ineficiente. Primeiro, pela distância entre o Recife e Brasília. A chance dos membros do TST nem tomarem conhecimento do ato existe e é grande. Segundo, porque ministros de tribunal superior estão revestidos de blindagem. Nem sempre decidem com base apenas nos autos, é verdade. Mas nunca são dobrados tão facilmente.

A assembleia e o imponderável

A assembleia dos rodoviários de hoje será realizada em dois horários (9h30 e 15h30) sob o risco do imponderável. A atual diretoria eleita nem tomou posse e já está rachada, como admitiu o presidente da entidade, Benílson Custódio, na edição de ontem do JC. Em vez de sugerir aos rodoviários qual caminho acredita ser o melhor para o momento, a diretoria dá sinais de que pretende não opinar, sob o argumento “democrático” de que à base cabe a decisão. Tal postura pode ser politicamente correta. Mas abre espaço para uma greve equivocada.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Os alunos saem e o medo entra

Publicado em 27/08/2014, Às 21:12

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Em 2011, os alunos da Escola Mere Guillemin, em Santa Teresa, Olinda, foram transferidos para outro imóvel. O prédio antigo está abandonado (foto). Virou ponto de consumo de drogas, motivo de preocupação para os moradores.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Um tom genérico

Publicado em 27/08/2014, Às 15:34

À primeira vista, a campanha de Armando Monteiro Neto a governador deseja soar propositiva. Ao menos em números de promessas lançadas, supera a de seu principal adversário, Paulo Câmara. Em cinco áreas (saúde, infraestrutura, educação, mobilidade e segurança), elas somam 32. Mas, quando analisadas uma a uma, percebe-se o tom ora genérico, ora grandioso demais, sem as devidas respostas para algumas perguntas.

Nas salas de aula, Armando quer estabelecer o “padrão pernambucano” de educação e propor um pacto para a erradicar o analfabetismo. O que a primeira proposta significa exatamente e quem é a pessoa de boa índole que aprova a manutenção da ignorância plena? Das oito propostas para a área, aumentar a parcela o ICMS repassado às prefeituras com bom desempenho no ensino fundamental, como forma de prêmio, é a mais factível.

Na saúde, Armando fala em construir hospitais, assim como Paulo Câmara, mas não diz onde. Promete replicar o Mais Médicos só com profissionais nascidos em Pernambuco. Uma bobagem! Médico é médico. Pouco importa onde ele nasceu, mas sim se está apto ou não a trabalhar. À promessa de dar cobertura de 100% ao Programa de Saúde da Família, levando-o a todos os cidadãos, faltou acrescentar quantos estão fora dele hoje.

Eleito senador na chapa que reelegeu Eduardo Campos há quatro anos, Armando vestiu a camisa da oposição por não ter recebido de Eduardo o apoio para ser governador em 2015, um sonho antigo. Caso contrário, estaria defendendo a administração a que hoje tenta se opor, mas sem criticá-la diretamente e poupando o ex-governador. Tarefa para equilibristas! Para Armando, nos quase 5 minutos de propaganda a que tem direito, não restou outra alternativa a não ser enumerar promessas, soar propositivo, como quem quer olha para frente. Falta agora explicar melhor os caminhos.

Postado por Jorge Cavalcanti

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