Jornal do Commercio
foto Jorge CavalcantiUm olhar com opinião sobre o Grande Recife
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Sabem de nada, inocentes!

Publicado em 17/09/2014, Às 8:00

Numa conta de padaria, o prejuízo dos empresários com o atraso do governo estadual na conclusão das obras dos Corredores Norte/Sul e Leste/Oeste é de R$ 74,2 milhões. Cada veículo BRT custa, em média R$ 700 mil. E 106 deles estão estancados nas garagens por não ter onde circular, como a repórter Roberta Soares mostrou no JC de ontem.

Pelo visto, a demora da implementação do sistema pegou de surpresa até mesmo os empresários, uma categoria perspicaz por natureza, mais atenta a prazos e orçamentos do poder público do que o cidadão comum. Caso contrário, eles teriam deixado para adquirir os ônibus depois, com as vantagens de um modelo mais novo, sem o prejuízo da depreciação.

Na outra extremidade do processo, o atraso do governo deixou no prejuízo 15.900 dos cerca de dois milhões de passageiros de ônibus do Grande Recife. Na mesma conta de padaria, cada um dos 106 BRTs por ora desperdiçados consegue transportar 150 pessoas, aproximadamente. Trabalhadores e estudantes que já estariam usufruindo de ônibus mais confortáveis, com ar condicionado, com um tempo de espera bem menor do que o habitual.

Aos usuários, lá trás, em 2009, quando a Copa do Mundo parecia um mantra no discurso governamental, o BRT foi vendido e aclamado como a promessa do “futuro” na mobilidade. Assim como os empresários, eles também acreditaram.

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À espera de respostas

Publicado em 16/09/2014, Às 8:00

Trezentos e três dias se passaram desde o assassinato do promotor Thiago Faria Soares, com características de execução, em 14 de outubro de 2013, até o julgamento do pedido de federalização do caso pelo Superior Tribunal de Justiça, no dia 13 de agosto de 2014. E, até o momento, os avanços são quase nulos: o homem detido como suspeito de ter apertado o gatilho teve a prisão revogada pela Justiça por falta de provas. E quem a Polícia Civil acredita ser o mandante está foragido desde o dia do crime. Caso venha a ser localizado e preso, pode também ser solto pela mesma falta de provas.

O Estado que conseguiu reduzir em 39% os homicídios desde 2007 patinou na tarefa de elucidar um crime de repercussão nacional. O assassinato de um promotor de justiça – independentemente das motivações do crime – exige sempre uma resposta à altura do Estado, desde a investigação policial consistente até o julgamento da ação penal célere.

No caso de Thiago Faria, titular da Comarca de Itaíba quando foi executado, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a falta de capacidade/vontade do Estado em apurar o homicídio. Para uma sociedade segura e justa, não basta evitar assassinatos. É necessário identificar e punir os responsáveis pelos crimes consumados.

Depois de quase uma década, Pernambuco voltou a viver a experiência de assistir ao assassinato de um promotor de justiça. Em 2005, Rossini Alves Couto foi alvejado com três tiros enquanto almoçava num restaurante ao lado do Fórum de Cupira, no Agreste pernambucano. Três anos depois, o homem suspeito de ter sido o mentor e executor da morte, um ex-policial, foi condenado a 24 anos de prisão e perdeu a farda. Apesar da devida punição, o gosto amargo na boca do Estado, daqueles provenientes de uma ressaca braba, permaneceu.

Unidos & Separados

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A harmonia entre promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPPE e delegados especiais da Polícia Civil foi apenas para a fotografia, personificada nas figuras do procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon, à esquerda, e do então secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, à direita de Eduardo Campos. Por trás das lentes e dos holofotes, as divergências atingiram um grau elevado, a ponto do STJ decretar: ou a Polícia Federal entrava no caso ou a impunidade tinha grandes chances de prevalecer.

Exilados

O medo de morrer expulsou a família de Rossini do País. Sua esposa e também promotora de justiça à época mudou-se para a Europa com os filhos. A motivação do assassinato de Rossini foi justamente uma denúncia oferecida por ela contra o mentor do crime.

Por dinheiro

Antes de Rossini, a última execução de um promotor de justiça foi em 2001. Mas o crime não teve ligação com a atividade profissional da vítima. Maria Aparecida foi morta a mando do marido, com o objetivo de herdar todo o patrimônio do casal.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Metamorfose eleitoral

Publicado em 14/09/2014, Às 8:29

Nas eleições, enquanto candidatos, políticos passam por verdadeiras transformações. Reavaliam acordos, mudam convicções e parecem esquecer o que propuseram um dia. Em alguns casos, quanto mais desanimadora é a pesquisa de intenção de voto do momento, mais incoerente será a metamorfose. O processo é semelhante ao dos fenômenos climáticos. Ninguém sabe bem onde e quando. Mas, de tempos em tempos, é certo que ele vai ocorrer.

Foi assim com Armando Monteiro Neto, licenciado do Senado e aspirante ao governo do Estado numa má fase da campanha, inaugurada com a trágica morte de Eduardo Campos. Ao menos em duas ocasiões, ele percorreu um caminho incoerente, aderindo a uma prática que já criticou ou criticando um conceito que apoiou como parlamentar.

Primeiro, foi o fim da campanha limpa nas ruas após ter proposto um acordo a Paulo Camara, com o slogan “Um bom governo começa com uma campanha limpa”. Mas a convicção de Armando durou pouco mais de um mês, até voltar a usar cavaletes e bandeiras.

Na última sexta-feira, o senador licenciado manifestou sua “preocupação” com as unidades de internação da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), uma das áreas de pior desempenho do governo. “Pernambuco tem o maior índice de mortes na Funase. Adolescentes que estão custodiados pelo Estado são vitimados pelas condições degradantes e falta de assistência e orientação. Ao que se assiste hoje é um filme de terror”, bradou, em nota.

Pela legislação atual, um jovem em conflito com a lei pode ficar privado de liberdade por até três anos. Se dependesse de Armando como senador, o teto seria elevado para oito anos, tirando da punição o caráter de medida socioeducativa. Tramita no Congresso um projeto do senador nestes moldes, tão equivocado quanto os que defendem a redução da maioridade penal. Caso a proposta seja aprovada um dia, é neste “filme de terror” que preocupa Armando como candidato que jovens irão mofar por até oito anos, distanciando-se ainda mais da ressocialização.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Telefone sem fio

Publicado em 13/09/2014, Às 8:16

A cúpula da Polícia Civil concedeu ontem uma entrevista coletiva para comentar sobre a prisão e condenação do ex-apresentador Denny Oliveira, e terminou desmentida pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco logo em seguida, por meio de uma nota divulgada à imprensa. As informações apresentadas pelos delegados, na verdade, estavam equivocadas. Embora nenhum deles tenha agido com leviandade, ficaram na saia-justa e terminaram expondo também o próprio Judiciário.

Processo envolvendo menor de idade é sempre mais delicado. Envolve segredo de justiça. A delegada Beatriz Gibson, titular de Capturas, garantiu que o ex-apresentador cumpriria pena em regime fechado, quando será no semiaberto, com base nas informações listadas no próprio mandado de prisão, expedido pelo mesmo Judiciário que a corrigiu. Quase um telefone sem fio!

Denny Oliveira ficará na unidade de Itamaracá, no Grande Recife, por sete anos, e não 15 como havia sido divulgado pela Polícia Civil. Pela repercussão à época das acusações e natureza do crime, o desfecho do caso proporciona certo alívio. Não ficou na impunidade, apesar da diferença social entre vítimas e condenado.

Postado por Jorge Cavalcanti

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A surpresa da Compesa

Publicado em 12/09/2014, Às 15:33

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Moradores do Curado IV, em Jaboatão dos Guararapes, estão sem água na torneira desde a última quinta-feira por causa de uma obra. Eles reclamam que não foram avisados pela Compesa de que o serviço seria realizado nem que o abastecimento seria suspenso. Para piorar a situação, por causa da cicatriz aberta na via, o caminhão de coleta não consegue recolher o lixo de casas da Rua 13. E os resíduos já estão acumulados em alguns pontos. Diante da falta de informação, eles perguntam se há previsão de quando o serviço será normalizado.

Postado por Jorge Cavalcanti

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O conselho de cuia na mão

Publicado em 11/09/2014, Às 20:55

Os integrantes do Conselho de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente não aguentaram o arrocho financeiro e foram pedir socorro ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Querem pressionar o governo do Estado por um orçamento razoável. A entidade sustenta que só recebeu, desde janeiro, R$ 50 mil. A Secretaria de Planejamento diz que foram R$ 419 mil.

Apesar de o valor alegado pelo Estado ser pouco mais de oito vezes o apontado pelo conselho, é uma ninharia quando leva-se em consideração o tamanho dos desafios e a importância do tema. Um Estado que se vangloria de ser um colosso nos indicadores econômicos também deveria experimentar ser superlativo na liberação de verba para o conselho.

As abarrotadas unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) são a ponta do longo processo social de defesa, promoção e, quando o trem descarrilha, ressocialização dos jovens. A superlotação do sistema e as 15 mortes dentro das unidades, desde 2012, sob a custódia do Estado, são evidências de várias falhas. Erraram família, sociedade e Estado.

Ser generoso com o orçamento do Conselho de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente poderia ser interpretado como choque de gestão e inversão de prioridades, termos tão em voga nesta época do ano no guia eleitoral de televisão. Significaria investir na prevenção, em vez desperdiçar com um tratamento pouco eficaz.

Na contramão da desvalorização do conselho por parte do Estado, a Prefeitura do Recife dá um bonito exemplo quando o assunto é atenção ao jovem em situação de vulnerabilidade social. Tocado pela Secretaria de Segurança Urbana, o projeto Trampolim capacita e emprega egressos da Funase. Jovens que dificilmente teriam chance de emprego de carteira assinada, salário razoável e atividade digna. Sem a mão estendida do poder público, a delinquência puxará para baixo.

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Agora é com o consórcio

Publicado em 11/09/2014, Às 17:20

Partindo do raciocínio de que a Prefeitura do Recife não iria apresentar alternativas ao projeto Novo Recife sem antes combinar com as quatro construtoras que formam o consórcio, sob pena de ficar desacreditada enquanto negociadora, as sugestões – apresentadas ontem à imprensa como diretrizes urbanísticas – significam uma melhora importante em relação à ideia inicial de construção de 12 torres na área do Cais José Estelita.

As propostas talvez não satisfaçam por completo a expectativa dos integrantes do movimento Ocupe Estelita, mas traz o Novo Recife para mais perto do restante da cidade, costurando-o ao seu entorno e reduzindo o impacto dos espigões sobre a parte histórica do Centro.

A redução significativa da altura dos prédios próximos ao Forte das Cinco Pontas e a construção de 200 moradias populares numa distância de até 300 metros do empreendimento são as duas maiores surpresas. A primeira é positiva sob a ótica urbanística e arquitetônica. A segunda, socialmente justa e bem-vinda numa cidade com déficit de residências dignas.

Até pouco tempo atrás, em meio ao calor do debate sobre o futuro do Cais José Estelita, aquecido pela ação violenta da PM durante a reintegração de posse, era inimaginável a possibilidade do consórcio aceitar reduzir o número de pavimentos. Após a confiança demonstrada pelo secretário Antônio Alexandre (Desenvolvimento e Planejamento Urbano) na apresentação das diretrizes urbanísticas, resta aguardar a resposta do consórcio em até 30 dias.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Geraldo desacelerando

Publicado em 09/09/2014, Às 7:38

A administração do prefeito Geraldo Julio (PSB) tirou o pé do acelerador no Recife, contrastando com o ritmo que ele mesmo fez questão de imprimir ao longo de 2013, ao suceder a inerte gestão de João da Costa (PT), aquele que passou sem deixar saudades. Inquilino da vez do gabinete do nono andar do prédio-sede da prefeitura, Geraldo Julio sabia que estava na vitrine, como peça importante de uma engrenagem maior: o projeto político e de poder do então governador Eduardo Campos.

Passados 20 meses sob a atual gerência, quase metade do mandato, a expectativa do recifense, após ter sido inflada pelos anúncios oficiais, parece ter descido um degrau. Do voto de confiança à cobrança, antessala do descrédito. Muitas das iniciativas lançadas por Geraldo Julio no ano passado não foram viabilizadas à risca no prazo. Algumas das principais ainda estão no campo da boa intenção.

Enquanto isso, a mais recente ação da PCR – o Passe Livre para 14 mil alunos da rede municipal – virou realidade em tempo recorde por encomenda eleitoral, para socorrer o discurso de presidenciável de Eduardo, embora seja uma medida socialmente justa.

Como prometer gratuidade em ônibus para jovens carentes se nada nesse sentido foi feito em mais de sete anos como governador de Pernambuco? Dizer que, na capital do Estado, seu aliado, ex-auxiliar e homem de confiança implantou o Passe Livre, se não dá coerência ao discurso, ao menos serve como paliativo.

A coluna pinçou algumas pendências da gestão com os recifenses e vai listá-las abaixo para reforçar a cobrança. Como político em que se transformou, Geraldo Julio tem o direito, e até o dever, de subir no palanque e pedir votos para aliados. Como prefeito, tem a obrigação de viabilizar o que prometeu.

Lei sancionada e engavetada

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O fim da circulação de carroças não ocorreu até agora por um só motivo: a PCR não sabe o que fazer com os carroceiros após a proibição, quase um ano após a lei ter sido aprovada. A ideia original era capacitá-los e inseri-los no mercado de trabalho formal. Mas a falta de articulação social ficou evidente.

Bicicletas e cinquentinhas

Além de estimular o recifense a conhecer a cidade pedalando, as ciclofaixas serviram de argamassa na construção da imagem da gestão e da candidatura a deputado do ex-secretário Felipe Carreras. O recifense gostou e agora quer pedalar também nos dias de semana.

Apesar de sancionada em novembro de 2013, a lei que possibilita a fiscalização dos condutores das populares motos 50 cilindradas, e assim a redução do número de acidentados graves que lota as emergência hospitalares, ainda não produziu efeitos práticos.

Faltam 80 quilômetros de calçadas…

…para a gestão atingir a meta de requalificar 120 quilômetros de passeio público. As obras, até agora, priorizaram o Centro e o entorno de mercados públicos.

Palafita à espera de habitacional

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A construção de três conjuntos residenciais no Centro segue devagar. O prazo foi descumprido mais de uma vez. Dois deles devem ser entregues até o final do ano, caso não haja nova prorrogação. Até lá, as palafitas continuam como o símbolo da indigência quando o assunto é moradia.

Parques

Além do da Jaqueira, a população da Zona Norte passou a ter à disposição outros dois parques: Santana e Apipucos. Mas os dois ainda estão inconclusos, com os quiosques fechados, e se arrastam em obras desde a gestão passada.

Avenida Beira-Rio

Pensada para ser construída entre as Pontes da Torre, nas Graças, e da Capunga, no Derby, a via ajudará a desafogar o trânsito na Avenida Rui Barbosa. Ao custo de R$ 57,5 milhões, as obras deveriam começar em agosto.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Pedalando em ritmo lento

Publicado em 07/09/2014, Às 8:05

A semana terminou com uma boa e outra má notícia para os adeptos da bicicleta. A negativa é que a gestão do prefeito Geraldo Julio não tem mais tempo hábil para concretizar o compromisso assumido de criar 12 rotas para os ciclistas no Recife em 2014. A primeira, nos bairros do Hipódromo e Campo Grande, na Zona Norte, vira realidade ainda este mês. Faltarão onze!

Talvez o prefeito tenha chutado alto demais na aposta. Precisaria colocar em funcionamento uma rota por mês, meta para lá de audaciosa. Embora vá descumprir o prazo fixado por ele mesmo, Geraldo Julio tem que realizar a promessa. Nem que seja a conta gotas. Pegaria mal para ele, após ter estimulado o desejo do recifense de pedalar, com a criação das ciclofaixas de lazer e turismo.

A boa notícia da semana fica por conta da iniciativa do Grande Recife Consórcio de Transporte de disponibilizar ao ciclista a opção para denunciar motoristas de ônibus que dirigem de forma perigosa, após o trabalho de pressão e convencimento feito pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife.

Obviamente, não são todos os motoristas que de ônibus que colocam o usuário de bicicleta em perigo, tampouco é possível atestar o percentual deles. Mas quem pedala pelas ruas sabe bem como é o susto daquele veículo imenso passando quase a jato ao seu lado.

Aos poucos, com conscientização e ações eficientes, a cultura da boa convivência pode prosperar, mesmo no trânsito, um exemplo termômetro para aferir a educação de uma sociedade. O ciclista que quiser formalizar a reclamação deve ligar para o 0800 081 0158 e escolher a opção “dirigir perigosamente”.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Armando enfrenta o Pacto

Publicado em 06/09/2014, Às 8:00

No figurino de candidato a governador pela oposição, Armando Monteiro Neto não pode simplesmente aplaudir o Pacto pela Vida, muito menos criticá-lo por inteiro. Antes do início oficial da campanha, ele tinha ciência de que, cedo ou tarde, seria confrontado pela queda de 39% no registro de assassinatos. E teria que seguir por outro caminho para tecer a crítica de que o programa precisa ser aperfeiçoado. Em duas ocasiões diferentes, Armando deu sinais de que já escolheu por onde atacar. Quer mudar o foco: em vez dos homicídios, dará ênfase aos crimes contra a dignidade sexual.

Por dois dias seguidos na semana, na entrevista à JC News e no debate da Rádio Jornal de Caruaru, o senador licenciado garantiu publicamente que cresce o número de violentados em Pernambuco. Mas foi raso. Não citou qualquer dado. É provável que, nos próximos embates com Paulo Câmara, volte a fazer a mesma afirmação. Espera-se que, desta vez, com profundidade.

Estupro é um dos crimes mais ultrajantes. Apavora e traumatiza vítima e familiares. Pela gravidade do tema, Armando Monteiro tinha a obrigação de ter ido além. Precisaria ter citado números e traçado comparações, para mostrar que tem o preparo que acredita ter para administrar uma área complexa como segurança pública.

Embora tenha ficado no débito com o cidadão-eleitor, Armando Monteiro acertou. De 2007, início do governo Eduardo Campos, a notificação dos casos aumenta ano a ano. A coluna pediu os números à Secretaria de Defesa Social e os reproduz abaixo.

Os números:

Ano    -  Total

2007  -  978

2008  -  1.115 (14%)

2009  -  1.409 (26%)

2010  -  2.116 (50%)

2011  -  2.461 (16%)

2012  -  2.649 (8%)

2013 – 3.002 (13%)

2014* – 1.373

* De janeiro a julho

Contextualização importante

No comparativo com o ano anterior, 2010 apresenta uma elevação de 50% no registro das vítimas, percentual bem acima dos demais. Apesar da tendência de crescimento consolidada, uma mudança na legislação ajuda a explicar o salto das ocorrências. Em agosto de 2009, a presidente Dilma Rousseff sancionou lei que endureceu as penas para estupro e tornou mais elástico o conceito do crime, enquadrando condutas antes caracterizadas como “atos libidinosos”. Desde então, não é necessário haver a conjunção carnal, por exemplo.

 

Postado por Jorge Cavalcanti

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Fotos do dia

Debate entre candidatos ao governo de Pernambuco na TV Jornal
Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem

> JC Imagem

Debate entre candidatos ao governo de Pernambuco na TV JornalMilitância de Armando Monteiro em frente à TV JornalMilitância de Armando Monteiro em frente à TV JornalChegada do candidato Armando Monteiro (PTB)Armando Monteiro (PTB) chega com João Paulo e Paulo Rubem

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