Jornal do Commercio
foto Jorge CavalcantiUm olhar com opinião sobre o Grande Recife
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Errar é humano. Mentir é feio

Publicado em 21/08/2014, Às 11:46

Depois de ser confrontada pelo Ministério do Turismo, a Prefeitura de Olinda se viu forçada a recuar. E admitiu o óbvio ontem: a placa que indica a sede da Companhia Independente de Apoio ao Turista da Polícia Militar, a Ciatur, na Praça do Carmo, não se enquadra em padrão algum, tampouco no Guia Brasileiro de Sinalização Turística.

Num gesto de mau gosto e falta de sensibilidade, a imagem reproduz um policial carregando um menor de idade pela gola da camisa. E pode ser interpretada como a visão da administração do prefeito Renildo Calheiros sobre duas áreas importantes: turismo e segurança pública.

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A placa foi produzida pela Secretaria Municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Tecnologia do município. Na última segunda-feira, ao ser questionada pela coluna, a prefeitura apostou na ignorância alheia. “Os pictogramas seguem o padrão nacional estabelecido pelo Guia Brasileiro de Sinalização Turística, desenvolvido pela Embratur e pelo IPHAN e Denatran”, respondeu, em nota.

Vinte horas depois, quando já havia sido desmentida pelo Ministério do Turismo, a mesma prefeitura, também por nota, emendou: “A Secretaria de Turismo informa que houve uma falha na execução do projeto. E vai apurar a responsabilidade administrativa e providenciar a troca”.

A tentativa da prefeitura de induzir a coluna e os leitores ao erro consegue transformar o equívoco original em um vexame ainda pior. E abre caminho para questionamentos de outra natureza contra a própria prefeitura, cuja imagem e credibilidade já não são das melhores. Qual a dificuldade de se admitir uma falha que estava à vista de todos? Da mesma forma que a coluna reproduziu ontem, e repete hoje, a imagem da placa, também abrirá espaço para mostrar a futura sinalização. Mais adequada para um ponto turístico, que de fato sinalize, e não reforce estigmas.

 

Postado por Jorge Cavalcanti

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A mensagem errada em Olinda

Publicado em 20/08/2014, Às 8:15

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Na Praça do Carmo de Olinda, a sede da Companhia Independente de Apoio ao Turista da Polícia Militar, a Ciatur, é indicada por uma placa, no mínimo, de mau gosto. O pictograma – aquele estilo de desenho que também serve para numerar as cadeiras preferenciais dos ônibus – reproduz um policial carregando um menor de idade pela gola da camisa. Além de funcionar como péssimo cartão de visitas, a sinalização é equivocada por reforçar estigmas, depondo inclusive contra a imagem da PM.

A Prefeitura de Olinda foi a responsável pela elaboração da placa, por meio da Secretaria de Turismo. Procurada pela coluna, a gestão do prefeito Renildo Calheiros pareceu não se incomodar com a mensagem transmitida pela placa. “Os pictogramas seguem o padrão nacional estabelecido pelo Guia Brasileiro de Sinalização Turística, desenvolvido pela Embratur”, defendeu, em nota. Como tal símbolo destoa do bom senso de qualquer padrão, a coluna também procurou o Ministério do Turismo e enviou a fotografia em anexo. Eis a resposta: “A imagem não consta entre os pictogramas do Guia Brasileiro de Sinalização Turística”.

Um equívoco reincidente

Não é a primeira vez que placas indicativas confundem mais do que explicam em Olinda. Com o objetivo de preparar a Cidade Alta para receber turistas na Copa, o governo do Estado criou a Rota dos Pedestres, com 44 placas em inglês e espanhol, ao custo de R$ 80,5 mil. O governo contratou uma empresa para fazer a tradução e delegou à Prefeitura de Olinda a revisão do idioma de Miguel de Cervantes. Resultado: em algumas placas, as informações foram escritas em “portunhol”, num gato por lebre linguístico.

 

Postado por Jorge Cavalcanti

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A chaga das conquentinhas

Publicado em 20/08/2014, Às 8:00

Sabe aquele tipo de problema social que por muito tempo foi minimizado, subjugado pelo poder público, apesar das evidências. Mas, com o passar do tempo, foi aprofundando raízes, impiedoso, até criar uma situação insustentável, confirmada pela frieza das estatísticas e pelo drama humano das emergências dos grandes hospitais públicos, todas lotadas?

Assim são as motos de 50 cilindradas, as famigeradas cinquentinhas. Já restou provado o custo social deste tipo de veículo, classificado na legislação como “ciclomotores”. Além do preço baixo e da facilidade do acesso ao crédito, os condutores das motos 50 cilindradas estão livres de qualquer fiscalização. Uma combinação explosiva!

Cabe aos municípios a regulamentação das cinquentinhas, exigindo do condutor o cumprimento de requisitos básicos, como carteira de habilitação e o uso de capacete. Mas os prefeitos preferem fingir que o assunto não é com eles. Como todo problema complexo, a epidemia social das motos 50 cilindradas demandaria deles investimento e planejamento. E exigiria atitude impopulares.

A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) poderia entrar em cena e encabeçar a discussão. Mas seus associados estão muito envolvidos com outros temas, como a eleição de aliados para a Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Já o prefeito do Recife Geraldo Julio saiu na frente, mas ainda está no débito quando o assunto é controle sobre as cinquentinhas. Precisa colocar a fiscalização, de fato, nas ruas e avenidas. O problema exige pressa.

Postado por Jorge Cavalcanti

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O vexame de Rosalba

Publicado em 19/08/2014, Às 14:19

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Sob o pretexto de abraçar a família do ex-governador Eduardo Campos, a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, pisou na bola com a família do fotógrafo Alexandre Severo, também velado em frente ao Palácio do Campo das Princesas, assim como o jornalista Carlos Percol. Cada caixão ficava dentro de uma área reservada. Alguns políticos então começaram a invadir o espaço da família de Alexandre, para cortar caminho e chegar ao de Eduardo com mais facilidade. A mãe do fotógrafo reforçou o pedido de respeito e amigos montaram uma parede humana, para evitar a invasão. Mesmo assim, Rosalba insistiu. “Sou governadora”, disse ela, enquanto forçava a passagem.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Menos, secretário. Menos!

Publicado em 19/08/2014, Às 13:51

Por compor um trecho considerável do Corredor Norte-Sul, por onde passarão os ônibus BRT, aposta mais recente do governo do Estado na área de mobilidade, era de se esperar que a PE-15 recebesse uma manutenção minimamente decente. A rodovia corta os municípios de Olinda e Paulista. Nela, contrariando a lógica, serviços básicos passaram a ter caráter extraordinário.

Ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), cabe o cuidado com o pavimento. Às prefeituras, a obrigação de serviços como coleta de lixo e capinação nas margens. Em diversos pontos da rodovia, porém, o matagal está imenso, principalmente no trecho de Olinda. Chega a ultrapassar a altura de um homem.

Ao JC, o secretário de Serviços Públicos da cidade, Manoel Sátiro, garantiu que a capinação na PE-15 foi realizada há um mês. Das duas uma: ou o serviço foi muito mal feito ou o mato cresce num ritmo acelerado pelas bandas de Olinda, contrastando com a velocidade da gestão.

Enquanto registrava ontem as imagens que estão na matéria que abre este caderno, o fotógrafo deste <CF238>JC</CF> Guga Matos ouvia palavras de incentivo. Era o passageiro que colocava a cabeça para fora da janela do ônibus e desabafava, o motorista que reduzia a velocidade do carro para gritar ou o pedestre que apontava os desmandos e fazia sinal de reprovação com a cabeça. Todos protestando contra a falta de manutenção adequada para a PE-15.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Foi Eduardo quem fez

Publicado em 10/08/2014, Às 8:00

Para entender melhor a origem da farra dos shows de bandas, muitas delas de gosto duvidoso, pagas com dinheiro público das emendas parlamentares, num formato questionável por ser comprovadamente imoral, é preciso voltar um pouco no tempo. Retroceder para contextualizar bem os fatos. No dia 21 de junho de 2013, o Diário Oficial publicara uma Proposta de Emenda Constitucional, assinada pelo então governador Eduardo Campos, que dava às emendas o caráter impositivo ao orçamento do Estado.

Antes, elas eram facultativas. Ou seja, parlamentares indicavam onde e como gostariam de “investir” o valor a que tinham direito. Mas dependiam do aval e do humor do ocupante do Palácio do Campo das Princesas. Deputados então ficavam numa situação constrangedora: não podiam garantir aos prefeitos aliados que o gasto seria, de fato, liberado. Viviam imprensados entre o governador, a quem oferecia apoio, e o prefeito, de quem buscava apoio.

No governo Jarbas Vasconcelos, os deputados à época recordam como era osso duro conseguir a liberação das emendas. Em 2013, Eduardo já desfrutava de amplo na Assembleia. Não precisava necessariamente lançar mão do apelo das emendas impositivas para ter os deputados próximos. Mas já buscava se distanciar da presidente Dilma Rousseff, a quem enfrentará este ano. Quando o Congresso Nacional ainda debatia nos microfones se a emenda impositiva era oportuna, pelas bandas de cá a PEC avançou rápido, sem discussão.

Moral da história: ao deputado, foi assegurado o poder de dizer onde e como gastar R$ 1,3 milhão/ano. À sociedade, foram negados os mecanismos de controle (as emendas não são publicadas no Portal da Transparência) e a garantia de que o gasto público seria minimamente inteligente e útil, sem atrelar as emendas às políticas públicas de Estado.

Postado por Jorge Cavalcanti

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O cobertor é curto

Publicado em 08/08/2014, Às 21:47

A Prefeitura do Recife conseguiu destravar as questões burocráticas que emperravam o início da construção do habitacional na comunidade Torres Lemos, em Parnamirim, Zona Norte. A previsão é que a obra comece ainda em agosto e se estenda por 15 meses. As moradias serão financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

O habitacional é promessa antiga, vem desde a gestão do então prefeito João Paulo, e foi eleito como prioridade no extinto Orçamento Participativo. A comunidade existe há 70 anos e, hoje, soma 1.150 pessoas, de 411 famílias.

Dois contorcionismos terão que ser praticados até o fim do processo. Como os moradores entrarão no auxílio-moradia, de R$ 201 por família, o primeiro deles é viabilizar um teto para os removidos do terreno. É sabido que a ajuda da PCR não cobre todo o aluguel de uma moradia, muito menos naquela área. Como o próprio nome diz, é a título de auxilio.

Como serão 192 apartamentos no conjunto, o segundo malabarismo então recairá sobre a tarefa de administrar o excedente de 219 famílias que ficarão de fora. A comunidade Torres Lemos deu mais um passo com o fim das questões burocráticas. Mas será preciso vencer outras etapas até a realização do sonho de uma moradia melhor.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Isso aqui tá bom demais!

Publicado em 08/08/2014, Às 8:00

O Código de Ética da Assembleia Legislativa tem a mesma pouca serventia de um relógio sem pilha. De valor decorativo, sem funcionalidade. No artigo 2º do texto balizador da conduta dos deputados, está escrito: “a atividade será norteada pela observância aos princípios da democracia, moralidade, legalidade, representatividade, compromisso social, respeito à vontade da maioria, isonomia, transparência, boa fé e eficiência.”

Repare que o Código de Ética lista a “moralidade” antes da “legalidade”, atrás apenas da “democracia”. Pela divisão do Estado de Montesquieu, cabe ao Legislativo produzir leis em conformidade com a moral. Reduzir a crítica às emendas parlamentares unicamente ao aspecto legal é menosprezar a razão de existir da Assembleia.

Num trabalho inconteste, a repórter Jumariana Oliveira, deste JC, mostrou que o atual modelo das emendas não se encaixa no que dicionários, filósofos e minha filha de 10 anos definem como moral. Deputados preferem pagar por shows de bandas em seus redutos eleitorais a priorizar ações na educação, saúde e infraestrutura. Até em cidades sob o efeito da seca. Donos de empresas que recebem dinheiro público têm laços pessoais e sanguíneos com parlamentares festeiros, numa triangulação eficiente para movimentar milhões sem a transparência.

Diante dos aspectos imorais, deputados deveriam reconhecer a solidez da crítica e oferecer respostas a ela. Mas, pelo sinais que emitem, continuarão a se comportar como membros de um seleto grupo, embalados pela trilha sonora da parceria de Dominguinhos com Chico Buarque: “Olha, que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais. Olha, quem tá fora quer entrar, mas quem tá dentro não sai.”

Postado por Jorge Cavalcanti

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Recordar é viver!

Publicado em 07/08/2014, Às 8:30

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Há quase oito anos com a chave do cofre do Legislativo nas mãos, o deputado João Fernando Coutinho recorreu ao conceito de justiça para defender seu assessor Wagner Moura, também agenciador da banda cujo cachê é pago por emendas parlamentares do chefe. “Não seria justo Wagner não poder ser contratado em seu trabalho cultural por prestar assessoria a nosso gabinete”, disse ele, em entrevista ao JC de quarta-feira.

Antes do exercício do poder, quando era visto mais como um filho de político do que propriamente um político, João Fernando pensava diferente. Em fevereiro de 2007, antes da eleição para a 1ª Secretaria, ele alimentava o sonho de colocar as contas dos deputados abertas ao público na internet e aproximar a Assembleia da população. Na imagem acima, sempre ao lado do presidente Guilherme Uchoa, ele comemora a ascensão ao cargo.

Abaixo, a reprodução de uma matéria com as opiniões do deputado bem antes da farra dos shows, publicada no dia 2 de fevereiro de 2007.

ASSEMBLÉIA
João Fernando abrirá contas dos gabinetes
Futuro primeiro-secretário do Legislativo promete tornar públicos os gastos dosdeputados, iniciativa que pode provocar insatisfações
Assim que assumir a primeira-secretaria da Assembléia, cargo para o qual deverá ser eleito hoje à tarde, o deputado estadual João Fernando Coutinho (PSB) iniciará seu segundo mandato na Assembléia Legislativa enfrentando a insatisfação de alguns colegas. É que entre as suas propostas está a de tornar públicas não apenas as contas do Poder Legislativo, mas também colocar na internet as receitas e despesas de cada um dos 49 gabinetes dos parlamentares, um segredo mantido a sete chaves.
Cauteloso, João Fernando reconhece o caráter polêmico da proposta, mas afirma que ela será submetida primeiro aos demais integrantes da mesa e, em seguida, ao plenário da Assembléia, a quem caberá a palavra final sobre a abertura das contas. “Esta é uma Casa plural, e tem que ser respeitada e entendida com suas divergências e convergências. Desde a pré-campanha para a mesa que eu defendo uma aproximação maior da Assembléia com a sociedade, e qualquer mecanismo que possa promover isso eu tentarei implementar. Mas discutirei com os deputados”, explicou.

Postado por Jorge Cavalcanti

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As tintas de um embaraço

Publicado em 07/08/2014, Às 8:00

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O muro que antes exibia o colorido do grafite, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife, ganhou uma demão de tinta para receber a propaganda de candidatos da Frente Popular. Sentindo-se desrespeitada, a grafiteira Gabi Okpijah, uma das pessoas responsáveis pela criação do desenho, colocou a boca no trombone das redes sociais. A foto acima espalhou-se rapidamente e multiplicou críticas.

A incoerência da imagem é um elemento a mais à história: enquanto secretário de Turismo e Lazer, Felipe Carreras lançou o programa Colorindo o Recife, para emprestar à cidade a beleza do grafite. Como candidato a deputado, sua propaganda encobriu a arte de rua.

A coordenação da campanha foi ágil na resposta. O próprio Carreras procurou Gabi Okpijah, do Coletivo Flores Brasil e do movimento hip hop, assumindo o erro. A propaganda, autorizada pelo proprietário do terreno, foi retirada e o muro, pintado de branco.

À grafiteira, foi feita uma proposta: Carreras forneceria material para um novo desenho. O embaraço, porém, não é tão simples de ser solucionado assim: o painel destruído foi concebido durante um evento nacional em março desse ano, o Recifusion, por 12 artistas, numa espécie de celebração do grafite. E não terá como ser recriado igual. Só Gabi Okpijah é de Pernambuco. Os demais grafiteiros são de outros Estados, além da Suíça e do Chile.

A história serve como mais um exemplo para ilustrar como o formato atual das campanhas produz excessos e absurdos. E, a cada dia, segue desagradando a uma parcela maior da população.

O silêncio é pior

Os outros candidatos cuja propaganda atropelou o grafite nada disseram sobre o menosprezo à arte de rua. Paulo Câmara continua encastelado, falando para dentro, desprezando a rejeição a um formato de campanha que está nas redes sociais e também nas ruas.

Arte sem respeito

Numa conversa com a coluna, com 11 anos de experiência no grafite, Gabi Okpijah contou que, a cada eleição, é algo comum propaganda de político passar por cima da arte de rua, em muro autorizados e nos não autorizados também.

Postado por Jorge Cavalcanti

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Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

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