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Corredor de BRT na Avenida Agamenon Magalhães ainda sem data para começar a ser construído

Publicado em 15/04/2014, Às 8:00

Canteiros foram montados na Agamenon desde o ano passado. Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem

Canteiros foram montados na Agamenon desde o ano passado. Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem

 

As obras do ramal Agamenon do Corredor de BRT (Bus Rapid Transit) Norte-Sul, que será implantado na Avenida Agamenon Magalhães com o propósito de transportar 73 mil passageiros diariamente, permanecem sem previsão de início. Depois de polêmicas geradas pela intenção de construir viadutos transversais à avenida e de supressão vegetal para dar lugar às estações de embarque e desembarque, apenas três canteiros permanecem na via há mais de seis meses, vazios e sem movimento. O governo de Pernambuco alega estar esperando a aprovação do projeto pelo governo federal para que os R$ 96 milhões previstos para a obra sejam liberados. Mas sem qualquer previsão de data.

O ramal Agamenon completa a primeira etapa do Corredor Norte-Sul, que está quase concluído e ligará o município de Igarassu, no extremo Norte do Grande Recife, ao Centro da capital. Terá 4,7 quilômetros, começando no Shopping Tacaruna e seguindo até o Terminal Integrado Joana Bezerra, com nove estações e uma passarela de pedestres no bairro de Santo Amaro, nas imediações das comunidades do Chié, Ilha do Joaneiro e Santa Luzia. O alargamento do Viaduto João de Barros (nos dois sentidos) também está previsto.

O atraso no início dos trabalhos, segundo a Secretaria das Cidades, deve-se à mudança de estratégia para captação de recursos. “Quando lançamos a obra, ainda no ano passado, pretendíamos usar dinheiro do governo do Estado. Mas no fim do ano surgiu a oportunidade de financiá-la pelo PAC Grandes Cidades. Diante da possibilidade, submetemos os projetos à análise da Caixa Econômica Federal (CEF). Agora, precisamos esperar essa avaliação ser concluída e o projeto enviado ao Ministério das Cidades para que os recursos sejam liberados. Só não podemos precisar datas”, explicou o secretário executivo de mobilidade de Pernambuco, Gustavo Gurgel.

A supressão vegetal de dezenas de árvores na Avenida Agamenon Magalhães, que fez o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendar a suspensão das obras, está resolvida por enquanto. Segundo a Secretaria das Cidades, a licença ambiental foi dada pela Agência Pernambucana de Recursos Hídricos (CPRH) – responsável pela liberação já que a obra é metropolitana – e a retirada e transferência de árvores localizadas às margens do canal foram autorizadas pela Prefeitura do Recife.

 

 

 

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A Secretaria de Meio Ambiente do Recife explicou que autorizou apenas a supressão que foi solicitada e que limita-se a três pontos específicos da obra. “Não tratamos das nove estações. Autorizamos apenas a supressão de sete árvores e a remoção de outras 25 para instalação da Estação Tacaruna e da passarela de pedestres, o corte de uma castanhola localizada num dos canteiros da obra, a supressão de 23 árvores e a remoção de outras 53 para o alargamento do Viaduto João de Barros”, explicou o gerente de controle ambiental do Recife, Ismael Cassimiro.

Segundo o gerente, após reuniões e ajustes no projeto foi possível reduzir a supressão vegetal. “A quantidade era muito maior. Para cada árvore que será suprimida, o Estado plantará o dobro no bairro de Santo Amaro”, garantiu. O promotor Ricardo Coelho, da Promotoria de Meio Ambiente, confirmou que a obra está com licença ambiental e autorização para supressão vegetal, mas garantiu que os trabalhos serão fiscalizados de perto pela promotoria.

 

Leia mais na edição impressa do Jornal do Commercio desta terça-feira (15/4)

Confira a perspectiva do futuro ramal Agamenon, ainda com os viadutos transversais previstos. O governo garante que, pelo menos por enquanto, o projeto não prevê mais os elevados.

Estacoes_Agamenon_Web

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Viadutos da Agamenon – O silêncio que incomoda

Publicado em 26/02/2013, Às 19:12

Viaduto Parque Amorim

O silêncio do governo do Estado e, agora, também da Prefeitura do Recife, sobre a decisão final em relação à construção de quatro viadutos transversais à Avenida Agamenon Magalhães está incomodando algumas entidades técnicas contrárias ao projeto dos elevados.  Diante da indefinição por parte do Estado, que não toca mais no assunto e, quando questionado, diz que aguarda estudos e análises para se posicionar, o Clube de Engenharia de Pernambuco resolveu remexer no assunto e ratificar a posição da entidade contrária aos elevados.

 

Publicou no site (www.clubedeengenhariadepe.com.br) o posicionamento de que  a construção dos viadutos inviabiliza a adoção de melhores alternativas de transportes coletivos para a cidade do Recife, como a expansão norte do metrô. Além disso, decidiu enviar ao governador Eduardo Campos, novamente, documento lembrando o posicionamento tomado pelo Crea-PE em reunião plenária ocorrida em fevereiro de 2012, quando muitos representantes da comunidade técnica pernambucana se posicionaram contra o projeto. O Crea-PE vem tentando marcar um encontro com o prefeito Geraldo Júlio para também reforçar o posicionamento. É esperar para ver.

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Viadutos vão impedir a operação de metrô ou VLT na Agamenon Magalhães no futuro

Publicado em 16/10/2012, Às 16:23

 

As primeiras conclusões de parte do grupo técnico que está esmiuçando o projeto de construção de quatro viadutos na Avenida Agamenon Magalhães, pulmão viário do Recife, são de que os elevados defendidos pelo governo Eduardo Campos são desnecessários e que, se forem erguidos, trarão danos não só para a paisagem urbana da via – que seria mutilada para sempre -, mas, principalmente, para a mobilidade. Uma vez construídos, os viadutos iriam restringir o tipo de modal a ser utilizado na Agamenon Magalhães, limitando-o ao transporte sobre pneus. Ou seja, metrô, monotrilho ou Veículos Leves Sobre Trilhos (VLTs), por exemplo, ficariam inviabilizados por causa da altura dos elevados.

O posicionamento é defendido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PE), Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE) e Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE). Sob o prejuízo provocado pelo modal escolhido, representantes do Crea-PE afirmam que, pelo projeto do governo, os viadutos previstos para cortar a Agamenon Magalhães ficariam a uma altura de 4,60 metros, o que só permitiria que ônibus, caminhões e carros passassem sob eles. Nos pontos onde forem instaladas passarelas para pedestres, a altura seria ainda menor.

O ponto principal defendido pelo grupo técnico, entretanto, é que o projeto dos viadutos está ignorando o Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Recife (PDTU), estudo concluído em 2008 e que projeta os caminhos do transporte público para o Grande Recife até 2020. “O PDTU não cita a construção de viadutos. Fala da necessidade de implantação do Corredor Norte-Sul, mas sem viadutos. O corredor é importante e deve ser feito. Os viadutos não. O PDTU falou em ônibus, mas em 2007/2008. O cenário atual, com todo o crescimento registrado no Grande Recife, aparentemente não condiz mais com esse tipo de transporte. Por isso, antes de qualquer decisão sobre o tipo de modal, é preciso fazer o dever de casa, ou seja, contratar uma nova pesquisa de origem e destino para identificar a demanda da Agamenon e o tipo de veículo adequado a ela. A última pesquisa de origem e destino foi realizada em 1997. Está mais do que ultrapassada”, argumenta o engenheiro civil e consultor de trânsito, Stênio Coentro, um dos representantes do Crea-PE no grupo técnico.

 

 

Outro equívoco do projeto do governo do Estado, apontado por parte do grupo técnico, é o fato de que apenas 30% das linhas de ônibus que hoje trafegam pela Agamenon Magalhães, seja nas pistas principais ou locais, serão atendidas pelo Corredor Norte-Sul. O restante, 70%, estará fora do corredor. “Esse é um dos grandes problemas. Como a maioria dos ônibus vão circular e, principalmente, fazer retornos na Agamenon se ela não terá mais sinais nos cruzamentos? Ou será que teremos um viaduto com um sinal embaixo?”, indaga Stênio Coentro. O estudo do governo do Estado apontou, por exemplo, que em apenas 15 minutos 40 ônibus fazem o giro à esquerda da Agamenon para a Rua Joaquim Nabuco, no acesso ao bairro das Graças.

Diante de tantas falhas no projeto oficial, uma das sugestões do grupo que será levada ao governo do Estado é que o Corredor Norte-Sul continue sendo implantado do jeito que está para viabilizar a mobilidade na Copa do Mundo de 2014, com o sistema de ônibus BRT (Bus Rapid Transit) operando até chegar à Avenida Agamenon Magalhães. Mas que a partir dela tenha continuidade com uma faixa exclusiva rente ao canteiro central e, não, um corredor de BRT. Enquanto isso, um amplo plano de mobilidade seria estudado e viabilizado para o Recife. “O momento é de pensar a cidade. O governo não tem um plano macro de circulação. A Agamenon Magalhães não pode ser pensada isoladamente. Precisamos fazer uma nova pesquisa de origem e destino, atualizar o PDTU e, sustentado em bases técnicas, definir qual o melhor modal para o corredor. Os R$ 250 milhões destinados aos elevados precisam ser melhor utilizados”, conclui o presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti.

 

 

 

 

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Secretário das Cidades de PE: “Não desistimos dos viadutos”

Publicado em 11/08/2012, Às 9:30

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Roberta Soares

betasoares8@gmail.com

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o secretário estadual das Cidades, Danilo Cabral, fala sobre planos de mobilidade para o Estado e, sobretudo, Região Metropolitana do Recife. Cabral garantiu que o governo de Eduardo Campos está aberto ao diálogo, mas que a ideia de construir quatro viadutos na Avenida Agamenon Magalhães não foi deixada de lado.

De Olho no Trânsito  – O governo está revendo a ideia dos viadutos, como o governador deu a entender na semana retrasada, ou está dando sequência ao projeto?
Danilo Cabral – O governo continua, como sempre esteve desde o início desse processo, aberto à discussão. Desde que a gente deu um passo para tirar do papel a implantação do corredor de transporte público da 1ª Perimetral (Agamenon Magalhães), porque essa é a discussão, a de um corredor de transporte, sempre estivemos e continuamos abertos à incorporação de sugestões, contribuições e ao próprio debate, como fizemos em várias oportunidades. Realizamos audiências públicas com moradores, depois com o MPPE, participamos de vários debates com entidades e instituições técnicas. Ou seja, o governo sempre participou desse debate e queremos coletar todas as contribuições. O projeto continua em curso sim, seguindo o rito que tinha sido programado. Claro que ele encontra-se agora numa fase de detalhamento dos estudos de impacto para que possamos dar sequência à intervenção propriamente dita. Nesse momento estão em curso os estudos de impacto de vizinhança e ambiental, o plano de circulação durante a obra e o detalhamento do projeto executivo. No horizonte de 90 dias de espera, contados a partir de julho, teremos condições efetivamente de discutir o início da intervenção.

De Olho no Trânsito – Então, se a construção dos viadutos está mantida, o que o governador quis dizer quando deu a entender que iria rever o projeto, sem ser provocado, durante o lançamento do programa de navegabilidade do Rio Capibaribe?
Danilo –  O governador colocou que continua aberto a discussões para incorporação de contribuições de melhoria à ideia dos viadutos. Não chegamos a colocar a alternativa de desistência do projeto. Isso não aconteceu. Continuamos a afirmar a importância de ouvir a sociedade para aprimorar o projeto. Lançamos esta semana uma intervenção na Agamenon que exemplifica esse aprimoramento e dialoga com a mobilidade na via, o projeto de implantação de 100 quilômetros de ciclovias nos corredores de ônibus. O Estado, como disse o governador, está aberto para aprimorar. Agora, o resultado final só será definido após a conclusão dos estudos e, até lá, o que podermos ter de contribuição será bem vinda.

De Olho no Trânsito – E se esses estudos apontarem que o impacto dos viadutos será grande, havendo desgate para o governo, vocês podem desistir do projeto?
Danilo – Não vou me antecipar aos resultados dos estudos. A finalidade deles é exatamente dar consistência técnica para fazermos a intervenção. Essa consistência, inclusive, não depende só de nós, mas de diversos órgãos técnicos, como por exemplo a própria CPRH, que vai analisar a questão ambiental. A análise desses estudos vai ser feita pelo governo no que lhe cabe, mas também pelos órgãos de controle, para que tomemos essa decisão.

De Olho no Trânsito – Os estudos de impacto vão ser divulgados abertamente para a sociedade, inclusive a imprensa?
Danilo –  Sim, claro. Inclusive como eu disse, são estudos que serão submetidos aos órgãos técnicos, como a CPRH e a prefeitura. Ainda mais agora com a Lei de Acesso à Informação.

De Olho no Trânsito  – A licitação pública para escolha da empresa que vai construir os viadutos já foi concluída e homologada. Caso o governo decida por outro projeto, ela continua valendo?
Danilo – Não. A licitação tem um objeto, que é a construção de quatro viadutos. Você pode até suprimir ou acrescentar em até 25% o montante do contrato, segundo a Lei das Licitações, mas não pode transformar os quatro elevados em um único viaduto, por exemplo. Porque assim você estaria alterando o objeto e eliminando gente que poderia ter participado da licitação se soubesse que ela seria para um único elevado. Mas não participou porque eram quatro viadutos.

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

De Olho no Trânsito – Então isso pode impedir o governo de desistir da ideia dos viadutos?
Danilo – Volto a repetir que o Estado continua tocando o projeto que foi apresentado e discutido com a sociedade.

De Olho no Trânsito – Outras ideias para o corredor foram apresentadas ao governo, entre elas a de Jaime Lerner, que previa um elevado só para ônibus na Agamenon. Por que o governo optou pelos viadutos? Está querendo, de fato, beneficiar o automóvel?
Danilo – De forma alguma, pelo contrário. Essa alternativa foi apresentada pelo arquiteto Jaime Lerner, a partir de uma parceria feita com os operadores do sistema, o Urbana-PE, que era esse grande elevado. A partir desse projeto e do debate com a sociedade, identificou-se que, em primeiro lugar, ele também tinha um problema operacional, que era impedir uma alternativa futura de outro modal, que estaria invabilizado pelo elevado. Segundo, do ponto de vista estético, o elevado proposto era extenso, com quase cinco quilômetros, o que iria agredir bastante a Agamenon e teria impacto ambiental porque mexeria na borda do canal. Depois o governo estudou o monotrilho, fizemos um estudo de uma Parceria Público-Privada (PPP), que teve muito fôlego. Do ponto de vista técnico, teve respaldo porque não alteraria em nada o funcionamento da Agamenon do ponto de vista dos carros. Mas quando se analisou o financiamento desse projeto, na ordem de R$ 4 bilhões na época, verificou-se que o custo da tarifa ficaria elevado. Como o governo decidiu não levar o impacto do sistema para a tarifa, desistimos. E foi aí que chegamos aos elevados, com menor custo.

De Olho no Trânsito – Os contrários aos viadutos apontam o aspecto da travessia dos pedestres e a insegurança nas áreas localizadas embaixo dos viadutos como algumas das razões para que o projeto não seja executado. Como o senhor rebate esses argumentos?
Danilo –As passarelas são uma necessidade e um respeito ao direito do cidadão de se locomover. Estamos com projeto de colocar passaraleas em todos os corredores de transporte público. Na Agamenon serão cinco – quatro interligadas aos viadutos e uma isolada, na altura da Comunidade do Xié. Agora, a população precisa ter consicência e fazer uso desses equipamentos. Sobre a degradação embaixo dos viadutos podemos dizer que o fato de eles serem estaiados ajuda. No Parque Amorim, por exemplo, haverá uma ampliação da área verde. Agora, é claro que a cidade precisa ser cuidada de uma forma geral.

De Olho no Trânsito  – Faça a defesa dos viadutos.
Danilo – Os viadutos fazem parte do grande projeto que é a implantação de um corredor de transporte público, o Norte-Sul, que começa em Igarassu e terá um eixo para o Centro e outro se ligando com o eixo sul da cidade. Num primeiro momento irá até a Ilha Joana Bezerra, mas futuramente se ligará com Jaboatão dos Guararapes. Quando se fala que a Agamenon representa apenas seis quilômetros do corredor é preciso lembrar que eles são estratégicos para a interligação entre os eixos Norte e Sul. A solução dos viadutos foi proposta para viabilizar esse corredor. Todos eles tiveram um lastro técnico. Nossa preocupação, isso precisa ficar claro, é com o transporte público. Se pudermos, e vamos fazer isso, melhorar também o transporte individual, ótimo. Mas a visão estratégica do governo é o transporte público de passageiros.

LEIA TAMBÉM:

As razões para não erguer os viadutos

Alternativas à proposta dos elevados

 

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Razões para não erguer os viadutos na Agamenon Magalhães

Publicado em 10/08/2012, Às 8:00

Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem

 

Roberta Soares
betasoares8@gmail.com

O transporte público não depende da construção de viadutos para ser viabilizado. Não necessita de elevados como justificativa, independentemente de ser operado por ônibus, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) ou metrô. Pode, muito bem, parar em cruzamentos, como os existentes na Avenida Agamenon Magalhães. Essa é a principal razão para o governo do Estado não construir os quatro viadutos previstos para a via, a principal do Recife, na visão unânime de técnicos e cidadãos contrários à ideia. A avenida representará apenas um eixo do Corredor Norte-Sul, projeto idelizado para interligar com faixas exclusivas de ônibus os extremos do Grande Recife. Na prática, responderá por menos de cinco quilômetros dos 50 previstos para o corredor, que vai de Igarassu até Jaboatão dos Guararapes, passando por Abreu e Lima, Paulista, Olinda e a capital.

Se o governo quer construir viadutos, então deve assumir essa vontade e não usar o transporte de massa como pretexto. Assim pensam muitos arquitetos, urbanistas, engenheiros, técnicos em transporte e cidadãos comuns que são contra os elevados. Os viadutos proporcionarão um benefício pequeno e temporário, não justificado pelo investimento: R$ 150 milhões. Os argumentos, inclusive, são embasados por entidades técnicas, como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PE) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE).

“O que está em discussão não é se o transporte coletivo deve ser prioridade. Isso é evidente. Discutir o modal a ser adotado também foge da questão principal. O que deve ser discutido é a cidade que queremos. A qualidade dos espaços urbanos, das calçadas”, ressalta o arquiteto e urbanista Múcio Jucá, que coordenou a elaboração de um documento entregue ao governo do Estado apontando diversas razões para os elevados não serem erguidos e assinado por profissionais da Unicap, UFPE e Fundaj.

LEIA TAMBÉMAS ALTERNATIVAS AOS VIADUTOS DA AGAMENON MAGALHÃES

Os argumentos contrários à transformação da Agamenon em uma via expressa sustentam-se em quatro linhas básicas. A primeira é a imobilidade. Viadutos apenas transferem engarrafamentos, não os resolvem. Vias do entorno da Agamenon, já com problemas históricos de circulação, receberiam um tráfego que não suportariam. “Esses viadutos são um verdadeiro desastre. Equivalem às cicatrizes de um Frankenstein. A cidade é para as pessoas, não para os carros. Não é à toa que o governador sinalizou que irá rever a proposta. Acredito que é uma decisão racional e, não, eleitoral. Afinal, as razões técnicas contra o projeto são irrefutáveis”, afirma o presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti.

Saindo da mobilidade, os contrários destacam o retrocesso urbanístico do projeto, lembrando que, enquanto o mundo destrói viadutos, o Recife quer erguê-los. Outro argumento é o prejuízo para os pedestres, que no lugar dos 60 segundos necessários para atravessar a via, levarão 600 segundos. Finalizando, o aspecto da segurança. As áreas embaixo dos elevados vão virar novos espaços degradados, como acontece na cidade.

Um grupo técnico vem tentando conversar com o governo para propor outras soluções à ideia original, mas até então nada conseguiu. A Promotoria de Urbanismo do MPPE também instaurou um inquérito civil público para investigar o projeto e se posicionar favorável ou contrária à obra. Foi a instituição, inclusive, quem provocou o Estado para que encomendasse os estudos de impacto, o que até então não tinha sido feito. Pegando carona na aparente ‘dúvida’ sobre a construção dos viadutos demonstrada pelo governador Eduardo Campos há duas semanas, os que são contra o projeto realizam amanhã o movimento #OcupeAgamenon, a partir das 10h, na Praça do Parque Amorim. A ideia é abraçar simbolicamente a avenida, expor e discutir ideias alternativas aos elevados durante todo o dia.

 

PEDESTRES – Se a Agamenon Magalhães virar uma via expressa, travessia de pedestres ficará mais difícil. Passarelas serão colocadas, mas população resiste

 

INSEGURANÇA Outra razão para não construir os elevados é que as áreas embaixo deles sempre viram espaços degradados. Um exemplo é o Viaduto Presidente Médici. Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

 

RETROCESSO – Enquanto o mundo destroi viadutos, como o existente sobre o Rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coreia do Sul, Recife quer erguê-los

 

Link do documento enviado ao governador Eduardo Campos por um grupo de arquitetos, urbanistas, pesquisadores e técnicos em transporte da Unicap, UFPE e Fundaj:

http://1arq.wordpress.com/2012/07/20/o-governador-e-os-viadutos/

Confira vídeo com o engenheiro civil Stênio Coentro apresentando um dos projetos alternativos aos viadutos e comentando o suposto ‘recuo’ do governo:

 

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Postado por Roberta Soares

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Alternativas aos viadutos da Agamenon Magalhães

Publicado em 09/08/2012, Às 8:09

Roberta Soares

betasoares8@gmail.com

Qual a solução para a Avenida Agamenon Magalhães, artéria vital do Recife? Imaginemos que o governo do Estado esteja, de fato, e não movido pela conveniência política, decidido a rever a construção dos quatro viadutos sobre o corredor viário. Como transformar a importante via em um corredor de transporte público? Quais as alternativas para priorizar o transporte de massa e não ceder, mais uma vez, à predominância do automóvel? Reunir alternativas aos viadutos é a proposta do primeiro dia da série O Futuro da Agamenon, que o Jornal do Commercio e o blog De Olho no Trânsito publicam a partir desta quinta-feira (8/8) e até o próximo sábado.

Muito se tem falado sobre a construção de quatro viadutos transversais à Avenida Agamenon Magalhães, a primeira perimetral do Recife e a mais importante avenida da capital, para onde todas as atenções dos gestores de trânsito se voltam atualmente. Isso porque, se a via parar, boa parte da cidade para junto. Críticas ao projeto elaborado pela Secretaria Estadual das Cidades e amparado politicamente pelo governador Eduardo Campos têm sido reproduzidas aos montes, de todos os lados, verbalizadas e expressadas pelos mais variados segmentos. Arquitetos, urbanistas, engenheiros, especialistas em transporte, estudantes, moradores do entorno da Agamenon e de outros bairros têm se colocado contra a ideia. Mas pouco foi sugerido como alternativa aos elevados.

O JC e o De Olho no Trânsito resolveram assumir esse papel. Foram em busca de possíveis soluções para a Agamenon Magalhães diferentes dos viadutos até então defendidos pelo governo estadual. Abriram espaço para algumas ideias simples, que podem ser eficientes exatamente pela simplicidade da concepção. Também reservaram espaço para soluções tão ou mais complicadas sob o aspecto urbanístico que os elevados. Nessa busca, encontrou propostas pensadas por arquitetos, urbanistas e engenheiros renomados da cidade, mas também algumas elaboradas por estudantes e cidadãos desconhecidos. O critério de triagem foram as ideias. Partidos, cores ou raças não pesaram na escolha dos projetos. O requisito básico: a apresentação de soluções de mobilidade focadas no transporte de massa, coletivo, não para automóveis. Alternativas que priorizem o transporte público, que o coloquem como ator principal nessa via pulsante para a cidade do Recife que é a Avenida Agamenon Magalhães.

Nas duas páginas dessa edição não serão encontrados projetos detalhados, minuciosos, com custos exatos ou definição precisa. São ideias, propostas iniciais, algumas um pouco mais detalhadas do que outras. Mas todas pensadas para solucionar ou minimizar as brechas e falhas do projeto dos quatro viadutos transversais ao corredor viário. Alternativas para serem contempladas e analisadas por todos, contrários ou favoráveis ao projeto do governo. Sem predisposição, de cara limpa e coração aberto. Nelas, o pedestre e o transporte público, seja operado por ônibus, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) ou monotrilhos (monorails), ganharam vez e voz.

Entre as soluções apresentadas, algumas ideias novas, até então desconhecidas da maioria da população e talvez até do próprio governo do Estado. Outras nem tanto, como é o caso da proposta elaborada pelo escritório do arquiteto e urbanista Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, o primeiro a planejar o Corredor Norte-Sul – do qual a Avenida Agamenon Magalhães representa apenas uma pequena parte –, ainda em 2009, numa parceria dos empresários de ônibus e do próprio governo. Enfim, a intenção é acrescentar, agregar. Apenas.

 

AS ALTERNATIVAS:

 

Faixa exclusiva e ciclofrescas
Na concepção do escritório Cesar Barros Arquitetos, o corredor de ônibus ou VLT ficaria plano, implantado no chão, tendo ao lado uma ciclovia sombreada (ciclofrescas). O corredor poderia ser implantado ao lado do canteiro central da via, à esquerda, ou na margem direita. Jamais, sobre o canal. A proposta defende a redução da largura das faixas destinadas aos automóveis para abrir espaço para as bicicletas e o transporte público.

 

 


 

Corredor elevado
Para o engenheiro civil e consultor em trânsito Stênio Coentro, a Agamenon deve ganhar um corredor elevado, sobre o canal, com 2.200 metros de extensão, 30 metros de largura, a uma altura de 12 metros. Começaria depois da Avenida João de Barros e se estenderia até a altura do Hospital Português. Teria seis faixas de rolamento, duas de acostamento e custaria R$ 210 milhões.

 

 

 

Mergulhos
Na proposta do estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, Henrique Mafra, que é a mesma do escritório Cardus Estratégias Urbanas, a solução para a Agamenon são mergulhos, ou seja, a faixa exclusiva para ônibus mergulha nos cruzamentos, passando por baixo, enquanto os carros seguem por cima, parando nos semáforos.

 

 

 

Integração de VLT e monotrilho
O arquiteto e urbanista Vinícius Ferraz, da Archimidia, defende a integração entre ônibus, Veículos Leves sobre Trilho (VLTs), e monotrilho. O sistema intermodal começaria no limite com Olinda, seguindo sobre o canal até um terminal erguido na Ilha do Leite, de onde começaria o corredor de monotrilho margeando a Via Mangue até Jaboatão dos Guararapes.

 

 

Faixas exclusivas e túnel
Grupo de arquitetos, encabeçado por Múcio Jucá, sugerem quatro alternativas aos viadutos. Duas delas propõem a implantação de uma faixa exclusiva de transporte coletivo junto ao canal. As estações ficariam próximas ou sobre o canal e posicionadas junto aos cruzamentos para concentrar a travessia dos pedestres, evitando a construção de passarelas. A terceira resgata um elevado sobre o canal e a quarta propõe um túnel com três faixas em cada sentido, destinadas ao carro, que funcionariam como vias expressas. Com o túnel, seria possível transformar em calçada as duas faixas da pista local.

 

 

Corredor de VLT
A proposta do economista Antônio Alfredo Beviláqua é implantar um corredor de VLT na Agamenon Magalhães. Ele seria elevado sobre o canteiro central, com quatro estações de embarque e desembarque na altura do Espinheiro, Graças, Derby e Paissandu. Ao longo dele haveria passarelas para levar os pedestres aos dois lados da avenida.

Pespectiva criada pelo cartunista Ronaldo, do Jornal do Commercio

 

 

BRT sobre canal
O primeiro projeto para o chamado Corredor Norte-Sul foi elaborado pelo escritório do arquiteto, urbanista e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner. A proposta previa a ligação de Igarassu a Jaboatão dos Guararapes, por um corredor plano, central, operado por BRT (Bus Rapid Transit). Na Agamenon ele passaria a ser elevado numa extensão de quatro quilômetros, sobre o canal. As estações de embarque e desembarque também ficariam sobre o canal.

 

 

 

Veja vídeo sobre a concepção de Jaime Lerner para o corredor:

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#OcupeAgamenon. Todos contra os viadutos da Agamenon Magalhães.

Publicado em 27/07/2012, Às 18:45

Agora é a hora. Pelo menos é assim que pensam os contrários ao projeto de construção de quatro viadutos transversais na Avenida Agamenon Magalhães, pulmão viário do Recife. Depois que o governador Eduardo Campos deu a entender que vai rever a proposta, até então apontada como a melhor das melhores opções para viabilizar o corredor de ônibus Norte-Sul na via, o movimento que é contra os viadutos parece que ganhou fôlego. O sentimento se resume na frase de uma das integrantes do movimento, deixada na rede social : “Agora é a hora.Vamos fazer pressão porque o cabra (no caso o governador) está em dúvida”. Sendo assim, os contrários realizam o #OcupeAgamenon, no próximo dia 11 de agosto, na Praça do Parque Amorim. A proposta é semelhante ao #OcupeEstelita, movimento realizado contra a construção de um conglomerado de residenciais, empresariais e hotéis previsto para ser erguido numa área abandonada do Cais José Estelita, área central do Recife. A ideia do #OcupeAgamenon é trocar ideias alternativas aos elevados, que para muita gente não vão resolver o problema do trânsito, apenas transferí-lo para vias do entorno.

Na quarta-feira (24),  durante lançamento do Rios Da Gente, programa que pretende tornar o Rio Capibaribe navegável em 2014, o governador Eduardo Campos deu a entender que vai reavaliar a construção. A postura do governador, até então de conformidade com o projeto, mudou depois que os viadutos entraram na pauta das eleições municipais e o seu candidato, Geraldo Júlio, evitou abordar o tema. Confira no link abaixo o post em que Eduardo Campos dá sinais de rever o projeto:

http://migre.me/a4eii

 

 

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Postado por Roberta Soares

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Antes tarde do que nunca: Estado decide contratar estudo de impacto dos viadutos da Agamenon Magalhães

Publicado em 18/06/2012, Às 12:49

Quase um ano depois de anunciar com pompa a construção de quatro viadutos na Avenida Agamenon Magalhães, sob o argumento de que precisa abrir espaço para a implantação de um corredor de BRT (Bus Rapid Transit) na via, o governo do Estado decidiu fazer os estudos de impacto ambiental e de vizinhança da obra. Na semana passada lançou pregão eletrônico,  modelo de licitação mais rápido e que permite maior concorrência por ser feito pela internet, para contratação dos Estudos Técnico Ambiental (ETA) e de Impacto de Vizinhança (EIV). A publicação aconteceu no DO e o vencedor já deverá ser escolhido no dia 5 de julho, o que mostra que o governo tem pressa. Quem é contra a construção dos elevados se revoltou ao ver a notícia do pregão, por entender que os estudos de impacto só estão sendo contratados agora, quando deveriam ter sido realizados antes mesmo de o Estado optar pelos elevados.

A contratação do estudo foi uma exigência do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), provocada depois de audiência pública para discutir o projeto há pouco mais de um mês.  Secretário executivo de mobilidade da Secretaria das Cidades, Flávio Figueiredo, explicou ao blog que o governo em momento algum se negou a fazer os estudos. Apenas deu entrada no processo no órgão competente, no caso a Prefeitura do Recife, à espera de que as exigências fossem feitas. A prefeitura se eximiu da responsabilidade por autorizar ou não a obra – postura deixada clara durante a audiência – e o projeto terminou encaminhado à CPRH, que solicitou os estudos. “Em momento algum nos negamos a fazer os estudos. Ao contrário. Iniciamos o processo e ficamos aguardando as exigências técnicas para que todas fossem atendidas. Sem qualquer resistência. É tanto que, assim que foi solicitado, iniciamos a contratação do estudo. Optamos, inclusive, pela modalidade de pregão que é mais rápida. O custo máximo a ser gasto será de R$ 137 mil  e o prazo de conclusão do estudo é de 35 dias”, afirmou.

Flávio Figueiredo garantiu, ainda, que se os estudos de impacto indicarem que os viadutos são inviáveis o projeto não será executado.  “A nossa proposta é clara. Estamos erguendo os viadutos para priorizar o transporte público, no caso o Corredor Norte-Sul que será implantado na Agamenon. Desde o começo também garantimos que não iríamos iniciar as obras sem todas as licenças ambientais necessárias. De forma alguma vamos passar por cima dos órgãos ambientais”, disse.

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Postado por Roberta Soares

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Governo de PE diz que escolha de empresa citada na investigação do caso Cachoeira ainda não está definida

Publicado em 11/05/2012, Às 18:51

O governo do Estado se posicionou por meio da Secretaria das Cidades sobre o envolvimento da empresa JM Terraplanagem e Construções, uma das escolhidas para construir os quatro viadutos da Avenida Agamenon Magalhães, nas investigações sobre o esquema de corrupção comandado pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Veja a nota:

“A Secretaria das Cidades informa que ainda não está concluído o processo licitatório para contratação da empresa que será responsável pela construção de quatro viadutos na avenida Agamenon Magalhães.

Consequentemente, não há definição sobre qual será a contratada.

Até agora foram cumpridas duas etapas do processo. No dia 27/04 foi concretizada a fase de habilitação das concorrentes que apresentaram toda a documentação exigida no edital. Hoje (11/5) foi publicado no Diário Oficial do Estado o nome do Consórcio JM-Cidades, formado pelas empresas JM Terraplanagem e Construções e Construtora Cidades, o que apresentou a menor proposta de preços – R$ 87 milhões – para a execução dos serviços.

 A Secretaria de Cidades informa ainda que o resultado final só será homologado em 30 de maio, depois que for garantido o prazo para que os quatro outros Consórcios habilitados possam apresentar os recursos que julgarem pertinentes contra o resultado preliminar e a secretaria das Cidades possa analisar os documentos e dar por concluído o certame”.

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Postado por Roberta Soares

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Empresa que vai construir viadutos da Agamenon Magalhães está envolvida no caso do bicheiro Cachoeira

Publicado em 11/05/2012, Às 15:23

A empresa JM Terraplanagem e Construções, que compõe o Consórcio JM-Cidade, vencedor da licitação para construção dos polêmicos viadutos da Avenida Agamenon Magalhães, área central do Recife, está sendo citada nas investigações sobre o esquema de corrupção comandado pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, envolvendo parlamentares, autoridades, empresas públicas e privadas. A informação é de que o contraventor, na relação com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), manteve contatos diretos com a JM Terraplanagem, conhecida por construir rodovias em áreas isoladas da Região Norte do Brasil. A relação foi tema de reportagem do jornal Correio Brasiliense publicada no dia 29/4 e reproduzida no site no dia 30/4. (veja a reportagem abaixo).

Segundo a matéria, embasada pela investigação da Polícia Federal, a JM Terraplanagem e Construções, empresa com sede no Distrito Federal, teria obtido contratos milionários do Dnit, apesar de o Tribunal de Contas da União (TCU) ter apontado superfaturamento em obras rodoviárias no Acre. A JM  teria continuado sendo beneficiada pelo órgão. Os 10 contratos somam R$ 220,5 milhões.  Na quinta-feira passada, o governo do Estado divulgou que a empresa, juntamente com a Construtora Cidade, de Porto Alegre, serão responsáveis por erguer os quatro viadutos que têm gerado polêmica na cidade. As duas empresas venceram a concorrência pública por apresentar o menor valor – R$ 87 milhões. Os viadutos serão construídos para viabilizar um dos principais eixos do Corredor Norte-Sul na Avenida Agamenon Magalhães, uma via expressa que ligará os extremos da RMR com ônibus de BRT (Bus Rapid Transit), estações fechadas, com ar-condicionado, embarque em nível e pagamento antecipado das tarifas. Com a palavra o governo de Pernambuco.

Na foto, o bicheiro Carlinhos Cachoeira

 

Veja a matéria do Correio Brasiliense na íntegra:

O Cerco de Cahoeira ao Dnit

De olho nas licitações milionárias, bicheiro tentou emplacar superintendentes e espionou a cúpula do órgão

Por Vinicius Sassine

O bicheiro Carlinhos Cachoeira se aproximou de empreiteiras estratégicas para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e beneficiárias de repasses milionários do órgão. Além das negociatas para favorecer a Delta Construções, a empreiteira com a maior fatia do dinheiro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o contraventor manteve contatos com representantes da Data Traffic, responsável por obras de fiscalização eletrônica em rodovias, e da JM Terraplanagem e Construções, que constrói rodovias em áreas isoladas da Região Norte. O Dnit, para Cachoeira, passou a ser um órgão estratégico: o bicheiro tentou emplacar superintendentes e usou a espionagem de seu grupo criminoso para vasculhar a vida do diretor-geral do órgão, Jorge Fraxe, nomeado pela presidente Dilma Rousseff durante a faxina no Ministério dos Transportes, em setembro do ano passado.

A Polícia Federal incluiu Paulo Roberto Vilela, descrito na planilha como “diretor de Engenharia da Data Traffic”, na lista de pessoas ligadas a Cachoeira. A Data Traffic é uma empresa goiana especializada em fiscalização eletrônica de rodovias por meio de radares. Paulo Roberto foi presidente da empresa e, hoje, atua numa construtora em Brasília. Até agosto de 2011, atos oficiais traziam o engenheiro como diretor presidente. Durante a gestão de Paulo Roberto, a empresa obteve nove contratos com o Dnit, que totalizam R$ 228,8 milhões. Quatro foram concluídos e cinco estão em vigor, referentes a instalação de equipamentos eletrônicos para monitoramento de velocidade em rodovias de Goiás, Pernambuco e Paraíba. Numa conversa telefônica gravada pela PF em julho de 2011, que está entre o material que será enviado pelo Supremo Tribunal Federal à CPI do Cachoeira, o bicheiro e o então diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, falam sobre a Data Traffic e sobre contratos de inspeção veicular.

A JM Terraplanagem e Construções, empresa com sede no DF, também obteve contratos milionários do Dnit. Mesmo com os apontamentos de superfaturamento em obras rodoviárias no Acre, feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a JM continuou a ser beneficiada pelo órgão vinculado ao Ministério dos Transportes. Os 10 contratos somam R$ 220,5 milhões. O último, no valor de R$ 54,6 milhões, é uma dispensa de licitação para a construção de estradas que integrariam duas aldeias indígenas à BR-163, no Pará. Foi a maior dispensa de concorrência já feita na gestão do general do Exército Jorge Fraxe. Depois de o Correio revelar o caso, em 1º de abril, Fraxe comunicou a suspensão do contrato e dos pagamentos e a realização de uma nova licitação.

Inspeção veicular

Os diálogos telefônicos interceptados na Operação Monte Carlo trazem uma provável referência à empreiteira. Cachoeira conversa com o ex-vereador Wladmir Garcez, também denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por integrar o alto escalão da organização criminosa, num diálogo gravado em junho de 2011. Wladmir menciona o “Júlio da JM” ao bicheiro, “aquele cara que viajou com nós (sic) pra Cuiabá”, conforme a transcrição. Em entrevista ao Correio, o diretor comercial da JM Terraplanagem, Júlio César de Ávila Oliveira, disse nunca ter visto ou conversado com Cachoeira. Mas admitiu que “batia papo” com Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta que hoje está preso por envolvimento no grupo criminoso. A JM Terraplanagem participa de um consórcio com a Delta Construções, no valor de R$ 223 milhões, para duplicar 50km da BR-060 em Goiás. “Conversava quando ele era diretor da Delta.”

A empreiteira foi apontada como ligada a Cachoeira a partir da revelação de um grampo telefônico em que o bicheiro cobra de Cláudio Abreu a devolução de R$ 500 mil. Cachoeira faz referência ao ex-senador Eduardo Siqueira Campos
(PSDB), que exerce o cargo de secretário de Relações Institucionais no governo de Tocantins. O pai de Eduardo, Siqueira Campos (PSDB), é o governador de Tocantins. “Computa procê aqueles 500 lá, viu? Não quero nem ver aquele Eduardo”, diz Cachoeira. Cláudio defende o filho do governador. “Eduardo também é bom. Ele mandou dar pra nós a inspeção veicular.” Na entrevista à imprensa de Tocantins, em que explicou a existência dos R$ 500 mil, Eduardo disse se tratar da doação feita pela JM Terraplanagem ao comitê financeiro do PSDB no estado nas eleições de 2010. A empreiteira doou
R$ 500 mil ao comitê.

O diretor comercial da JM diz ter feito a doação ao comitê do PSDB porque a empresa pretendia estabelecer uma parceria público-privada com o governador eleito de Tocantins. Júlio César afirma que não sabia das ligações de Cláudio Abreu com Cachoeira. O ex-diretor da Data Traffic Paulo Roberto Vilela também admitiu ao Correio, por e-mail, conhecer o ex-executivo da Delta. “Já falei com ele algumas vezes. Empresários conversam sobre expectativas de negócios, porém nenhum negócio foi concretizado com a Data Traffic.” A empresa goiana fez duas doações de campanha em 2010, conforme os registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): R$ 27,1 mil à senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) e R$ 90 mil ao deputado Federal Thiago Peixoto (PSD-GO).

Interceptações
Conversas telefônicas gravadas pela PF mostram interesse de Cachoeira  em saber detalhes sobre o novo diretor-geral do Dnit, que assumiu o cargo em setembro de 2011:

5 de agosto de 2011
» Cachoeira: O novo presidente do Dnit, Dadá. É o general Jorge Ernesto Pinto Fraxe.
» Dadá: Tá, eu vou vê. É com certeza da reserva. Vou tentar aqui descobrir quem é esse cara. Qual é a linha dele.
» Cachoeira: Depois cê me fala.

8 de agosto de 2011
» Evaldo: Ô, professor.
» Dadá: Professor, como é o nome desse general aí do Dnit?
» Evaldo: Jorge Ernesto Pinto Fraxe.
» Dadá: Ele é general de divisão, é?
» Evaldo: Pois é, outro menino lá é amigo dele, entendeu? Aí você vê.

 

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